one hundred islands before dying

Boas-vindas ao meu novo blog sobre Viagem

Entrevista do velejador solitário PENTTI PUUPERÄ

– Bom dia, amigas e amigos deste serial-blog dedicado à* divina* MAR, ao inteligente BARCO À VELA e ao sagrado MEIO AMBIENTE.

– Tenho uma boa notícia pra vocês, que admiram os velejadores solitários, tanto quanto eu.

– Acabo de entrevistar uma “legenda ambulante” para o nosso regozijo.

– Desta feita trata-se de um velejador finlandês, que além de navegante é cantor apaixonado pela música coral.

– Antes dele, não sei se vocês ainda se lembram, entrevistei o francês Iano Mana, no Rio de Janeiro.
 

– Antes do Iano, entrevistei o filosófico suíço Walter Mader, em Salvador, Bahia.

– Antes do Walter, tive o privilégio de entrevistar o grande velejador solitário e explorador sul-africano/suíço Mike Horn, em Recife, Pernambuco.

– Antes do Mike Horn, entrevistei uma velejadora sueca sobre a ilha de São Vicente, Cabo Verde, a simpática Eva Kullgren.

– Bem, aqui vai a entrevista que o pentacampeão finlandês de Lightning, Pentti Puuperä, concedeu-me ante ontem, dia 3 de dezembro do corrente ano, aqui no Rio de Janeiro, a bordo do catamarã “Alma Mar”, pertencente ao nosso amigo Alberto Iannuzzi.

– Espero que gostem.

– Eu?

– Eu identifiquei-me com ele assim que ouvi os primeiros comentários a seu respeito, feitos pelo seu filho, Juha Puuperä, que para meu gáudio tornou-se colaborador do nosso pretensioso projeto UMA CENTENA DE ILHAS ANTES DE MORRER.

– Porque identifiquei-me tão rapidamente com este exímio navegante.

– Por cinco razões que estão bem claro em minha mente.

– Quais?

– Se vocês concordarem revelarei uma delas agora e as outras quatro num futuro próximo.

– Pode ser?

– Quem cala consente.

– Simpatizei com Pentti Puperä por causa da cor rubra do seu veleiro “Natina”.

– Porquê de novo?

– Porque o vermelho é a cor da paixão mais forte e ao mesmo tempo a cor mais indicada pra se pintar um barco a bem da segurança de seus tripulantes.

– De novo porque?

– Porque é a cor mais visível em plena* MAR.


– A propósito desta excêntrica entrevista, lembrem-se da máxima de autoria do meu querido “Filósofo Borboleta”.

” – Em nossos filhos vivemos outra vez”.


Fernando Costa

ENTREVISTA DO VELEJADOR SOLITÁRIO FINLANDÊS PENTTI PUUPERÄ

Fernando – Muitos julgam o ato de velejar em solitário uma grande insensatez. Podemos conhecer sua opinião a respeito?
 

Pentti – Perigoso é viver e não velejar em solitário.
Fernando – Qual seu maior prazer quando navegando a bordo do seu belo e sólido veleiro “Natina”?

Pentti – Tomar café, ouvindo antigos contos, lidos por um certo locutor, que emprega em sua fala a antiga gíria de Helsinki.

Fernando – Se em vez de ser humano você fosse uma criatura marinha, qual delas você seria?

Pentti – Uma solidária foca.
Fernando – Qual foi sua última viagem?

Pentti – Uma tensa e inesquecível velejada entre Kotka e Helsinki. Porque tensa? Porque meu veleiro estava com a bolina quebrada. Imaginem navegar 90 milhas em latitudes superiores aos 60º Norte, com a bolina do seu veleiro em frangalhos. Dose pra leão amigos! Vejam o mapa abaixo e sintam meu drama. Detalhe, a distância entre Kotka e Helsinki, em linha reta, é de exatas 62 milhas náuticas… Como nenhum veleiro navega em linha reta e no caminho tive de driblar muita ilhas, o percurso inteiro somou algo em torno de 90 milhas. Ligado, colega velejador? Diga-me, qual foi a última vez que você navegou 90 milhas, em solitário, próximo a uma costa bastante acidentada, a bordo do seu combalido veleiro desprovido de bolina? Hein? 

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